quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Escrevo Logo Vivo

“Penso logo existo.” Disse René Descartes. Escrevo logo vivo, digo eu. A existência é meramente superficial se não tirada vantagem. Um homem sem palavra não é digno dos seus pensamentos. Um sopro perdido ao ar. Uma inspiração que engasga. Pensar e não falar é como ter a faca e o queijo na mão e comer presunto. O macaco que tem a banana, sabe comer, mas ao jogá-la no chão, pisoteá-la e chamá-la de pão, distribui ao cão. O pão que o macaco amassou!

Hoje acordei nu, pelado, banguela e careca, nasci pra vida, nasci pro mundo, gugudadá eu logo aprendi a falar. Não muito tempo depois, em minha mente já não suportava ignorância. Gugudadá tornou-se ‘papai e mamãe’, eu já estava no lucro. Olhava pra baixo e me via vestido, continuava no lucro. Ao ver meu pai careca, o desespero, ao ver-me cabeludo, que alívio, isso sim é lucro. Logo cheguei a uma simples conclusão, o que vier é lucro meu irmão. Riquezas? Não falo em material, refletindo, pensando e existindo, escrevendo e vivendo, realizo que a maior pedra a ser lapidada é a minha mente. Não estou satisfeito com apenas 10%, você está? Medíocre eu não sou, nunca fui, nem nunca vou ser. Inaceitável! Mediocridade é burrice. Você conhece algum medíocre feliz? Se achares que sim, converse com ele, eu te chamo pra dançar.

Escrever é um prazer. Sinto-me ardente, uma dor nas costas constante. Sai da cadeira rapaz, pare de pensar naquela mulher, existem tantas outras... que não são elas, que não são especiais. Em tudo, pra tudo, com tudo, chutar a porta é arriscado. Um campo aberto, gramado. Um alvo com círculos vermelhos pintados. Uma mira a lazer. Ela é uma folha de oficio digital. Branquinha, sempre aberta a conversas, pronta para se melar de preto, pronta pra contar a historia que sai da ponta do lápis, ou seria da ponta dos dedos? Opa, essa evolução é nada mais que justa. Porque deveríamos nos limitar a escrever apenas com dois dedos? Temos dez que podem ser aproveitados, cinco vezes mais rápido acompanho a velocidade dos meus pensamentos.

Ela continua sorrindo, adora quando estou aqui. Sentado a sua frente me sinto uma criança livre para brincar. Está na hora do recreio! Confusas palavras geram controvérsias e conversas. Flores numa mesa de bar. Gargalhadas. Esta brotando vida do cimento, antes considerado impossível.

Não importa o traje, um homem tem que se vestir com confiança. Minha confiança vem da minha existência, minha existência vem seguida de palavras. Escrevo logo vivo! Sou honesto, não consigo ser falso. Não consigo sorrir quando quero chorar, nem consigo chorar quando quero sorrir. É uma virtude ser capaz de reconhecer seu cálice. No livro “Tuesdays with Morrie” de Mitch Albom, o personagem real Morrie, em seu leito de morte confessa que “when you learn how to die, you will learn how to live”. “Quando aprender como vai morrer, vai aprender como viver”. Morrendo de Altzimers, ele prega que reconhecer seus sentimentos e ser capaz de controlar-los mudou o seu modo de viver. Tudo: amor, ódio, raiva, tristeza, felicidade, compaixão, misericórdia e inclusive a confiança. Perdão. Sou confiante sim, sei controlar minhas emoções e ir em busca do que quero, dos meus sonhos, do que almejo. Não importa o traje, a ocasião ou companhia, me visto bem e estampo no rosto o meu rosto! Máscaras? Livre-as na porta de entrada, minha casa não é um baile de carnaval.

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