quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Com quem falo?



- Oi.


- Oi.


- Como está se sentindo?


- Te conheço de algum lugar, acho que de filmes, já te vi na televisão, é isso?


- Não, não, talvez, mas já passei pela sua família algumas vezes. Você esta bem?


- Um pouco nervoso. Não sei por que. Acho que é a sua presença. Você costuma deixar as pessoas nervosas?


- Bem, não são todos que estão preparados para me ver.


- Preparados? Como assim?


- Pergunta comum. Vamos dizer que em alguns lares eu não sou muito bem vinda.


- Que cheiro é esse que eu sinto?


- O cheiro do medo.


- Medo? Porque eu deveria estar sentindo cheiro de medo? Não estou sentindo medo.


- Geralmente quando me aproximo as pessoas sentem medo. Já aconteceu de alguns ate saírem correndo, desesperados e assim mesmo alcançarem o que não queriam.


- Não estou entendendo. Elas não já estavam com você?


- Eu de certa forma sou até uma figura boa, venho antes para avisar, para acalmar as pessoas e alertá-los do que esta a sua espera.


- Você sempre vem? Para todo mundo?


- Não, tem gente que opta por escolher o seu próprio destino, nessas ocasiões eu não apareço.


- Suicidas!?


- Sim.


- Triste. Frio.


- Está calmo?


- Sim, sim. Acho que sempre pedi para que acontecesse dessa maneira, então, de certa forma, estou preparado. Agora me lembro, eu já ti vi sim, uma vez, em minha casa. Naquele dia, naquela hora, eu te odiei. Você tirou o meu coração, a minha inspiração, os meus sentidos, a minha imagem idolatrada. Eu queria destruir o mundo, acabar com você.


- A resposta para isso é o equilíbrio.


- Mas você parecia tão pacífica, tão ingênua e cheia de compaixão, me conquistou. Eu entendi e a partir de então passei a pedir que você aparecesse da mesma forma para mim, quando eu estivesse pronto.


- Obrigada pela parte que me toca. Fiquei vermelha!?


- Um pouco, mas precisa de um pouco de sol. Como assim equilíbrio?


- Sou funcionária Dele. E o desejo Dele é uma ordem. Pessoas almejam uma vida inteira a oportunidade de Conhecê-lo, de viver eternamente ao Seu lado. A maneira como você me viu antes foi exatamente uma expressão dessa vontade sento atendida. O equilíbrio vem das tarefas distribuídas, quando são finalizadas, é hora de partir ou reiniciar através de um outro sopro. Equilíbrio.


- Ela merecia.


- Ela está junto a todos a quem sempre amou, e como coisas boas acontecem àqueles que fazem coisas boas, não tenha duvidas que isso foi o que aconteceu.


- Posso vê-la?


- Não estou aqui pra te levar ainda. Estou aqui para te preparar. Você ainda tem muito a conquistar.


- Na verdade, minha vida inteira achei que você viria mais cedo, repentinamente. Mas após aquela experiência, comecei a pedir para ir devagar. Acho que é uma maneira de pedir uma ultima chance de tocar, passar, revelar amor.


- Por isso vais ficar aqui. Viver, gozar, espalhar alegria e carisma. Ela estará te guiando e te assistindo. Assim como todos os outros que te esperam por lá.


- Posso ir?


- Pode sim, foi um prazer conversar contigo. Tenha um bom dia, acorde sorrindo e despreocupado, estamos juntos.


- Engraçado, vou mandar uma carta a Holywood avisando que você é mais bonita e serena do que eles fazem você parecer.


- Holywood é holywood. Alias, pra eles, só apareço daquela maneira mesmo, gosto de assustar quem gosta de assustar os outros. Fica entre nós, é uma brincadeira que faço. Mas pode acreditar que para quem o bem pratica, eu sou linda e venho em paz.


- Você também, tenha um bom dia. Tente não levar muita gente hoje?


- Gostaria de poder dizer que sim, mas como disse, é um pedido Dele, e às vezes, acontecem coisas que nem nós mesmo entendemos.


- Alguém a quem eu possa ajudar?


- Muitos, e você já esta ajudando.


- Obrigado pela sinceridade.


- E a ti, obrigado pelo sorriso, te comprou mais tempo.


- Por nada, volte sempre, gostei de você.


- Tenho muito trabalho a fazer, mas vou pensar no seu caso. Talvez da próxima vez que estiver me sentindo feia volte atrás de um elogio.


- Será um prazer.


- Tchau agora, tenho muito trabalho a fazer.


- Tchau, ide em paz.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

20 de Fevereiro













Não tenho pra onde ir

Não tenho rumo

As ruas se calam

Os cães já não latem mais

Já não escuto o silêncio

Grito o vazio ao vento

Já não vejo o meu caminho

Tudo parece escuro no clarão do meio dia

Nada parece claro na escuridão da meia noite

Largos passos correm

Percorro a minha vida

Caminho ao engatinhar

Já não sei pra onde ir

Não vejo o gosto

Não cheiro a audição

Não escuto o sentimento

Não sinto a visão

Minhas mãos alcançam o nada

No vácuo toco o cheio

A chuva traz o seco

O deserto da miragem

Sobre todos os lugares

Um livro sem detalhes

Saudades

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Seja Menos Profano

Meu irmão pediu que eu fosse menos profano!? Mais formal. “Adicionaria ao meu perfil e talento”, diz ele. Ele é médico. Eu sou comunicador. Ele é inteligente, um ícone de perseverança e dedicação por onde passa. Líder calado, nascido de um dom de memória até hoje para mim comparável somente ao do meu avô José de Albuquerque Jucá. Ainda me lembro a surpresa da família durante as sabatinas de colégio quando esta criança, de apenas 11 anos, recitava os livros de geografia e história, palavra por palavra, e todos ficávamos maravilhados. Predestinado super-homem.

Seu Jucá era um caso aparte, Cearence vivido na Bahia, vovô era um verdadeiro poeta. Vindo do Iguatú Y (como dizia para evitar a rima) a Salvador, este era capaz de gritar no silêncio e todos se calavam. Não somente proclamava as suas próprias escrituras, como também cuspia poemas de outros autores. Repentistas conhecidos, colegas intelectuais, amigos poetas, repertorio elástico respeitável. Mas as suas autorias eram sempre as mais desejadas. Eram estórias e contos engraçados, descontraídos, contagiantes e cativantes. Sinto saudades dele...

Sou comunicador. Minha profissão é vender, nada mais nada menos, que minhas idéias. Em minha indústria dividimos o publico em segmentos: classes, A, B, C, D e E, negros, brancos, praianos ou aqueles que gostam das montanhas; indústrias, renda familiar, idade, costumes, se gostam de TV ou rádio, escutam musica em CD ou Ipod, tudo é levado em consideração e sou obrigado a assimilar o máximo possível a respeito de todos, e, da melhor maneira, ser capaz de agradar a todos. Gregos e troianos. Rapaz, é foda!! Eu não sou profano, eu sou eu mesmo! Sou descontraído e verdadeiro! Exagero porque sou marketeiro, mas não vendo o que não tenho, e se vendo, providencio; ou pelos menos convenço de que uma mudança foi necessária e melhor para o branding dessa marca. Sou assim, do jeito que sou, em casa, na rua e no trabalho. Escuto, às vezes seletivamente por opção, e me expresso. Sempre! Sábios são os mediadores das reuniões, sua opinião vem baseada nas de todos previamente ditas.

Meu pai, político por natureza e medico por opção, é unanimidade pelo seu carisma. Imã, positivo, sempre, atrai do zelador da garagem ao presidente do hospital, não vamos ser modestos, até Ministros do Estado são seus amigos. Ele é meu professor e não sabe. Eu observo, calado, os seus discursos, postura, maneira de falar, espontaneidade na verdade da sua palavra, da sua escrita pausada. Ações, reações e contradições. Meu pai não se molda, ele é Mauricio Nunes, sem o nome, só pessoa.

Meu grito, sem critica alguma a meu irmão, que também é genuíno, é que sejamos assim, simplesmente verdadeiros, e aceitemos os outros sem pré-julgamento. Cada um de nós tem valores e destinos distintos, diferentes experiências, idéias, caminhos, historias pra contar.

Canto pro Mar 2008

Mais um ano. Mais um Canto Pro Mar. Mais um evento surpreendente.

Sucesso de publico e vendas o projeto impressionou a todos, patrocinadores e fãs, que lotaram a arena do Guarujá.

A parceria entre o Hotel Jequitimar, o SBT e a Agencia Tudo prova que entrou no circuito nacional de eventos para ficar ao proporcionar uma estrutura de primeiro mundo aos artistas e convidados da festa. Toddy, Brahma e Telefonica investiram e viram retorno, não apenas na mídia, mas também na sua marca exposta à mais de 30000 expectadores durante todo o projeto. Além, é claro, do relacionamento proporcionado com os seus clientes.

Foram ao todo 130000 flyers, 100 banners, 300 cartazes, 45 faixas e centenas de lambe-lambe espalhados pela cidade, além de uma equipe de 10 promotores correndo a circuito em 30 dias de blitz para promover a festa. E olha só o resultado: Mauricio Magalhães já promete: “Canto Pro Mar 2009 – Agente se encontra lá!”

A super grade composta por Nando Reis, Paralamas do Sucesso, Ana Carolina, Vanessa da Mata e Motumbá, alem de Bikini Cavadão e DJ Malboro agitaram a Praia de Pernambuco e fizeram a areia tremer aos gritos de “Garganta”, “A Novidade”, “Tudo que quer me dar” e outros hits da musica pop brasileira.

Canto Pro Mar finaliza seu segundo ano de evento feliz com o resultado de um esforço mútuo por parte de muitos envolvidos, porém cientes de que o ano que vem tem mais, muito mais!

Vânia

Vânia.

Mãe. Nosso ventre pra sempre.

Mulher: dela o abraço, o beijo, o desejo.

Tale. Amor.

Irmã. Tia. Prima. Filha. Família assumida.

Uma amiga, uma conselheira, uma companheira verdadeira.

Uma Santa que de manta se levanta,

Um milagre, um sopro, uma vida.

Uma esperança, uma presença divina.

Vânia.

Uma apóstola da bondade,

A mais pura, a mais bela sinceridade.

Ela toca mesmo sem tocar.

Ela olha mesmo sem olhar.

Ela fala mesmo sem falar.

Um exemplo de vontade, perseverança, caridade.

Entregamos-lhe a Deus antes mesmo de ser avó.

Nos da um dó. Um aperto no peito. Não teve jeito.

Avó boa ela seria. Ia ser só alegria.

Casa cheia, baião-de-dois, feijão com arroz.

Brincadeira, uma correria, fantasia.

Ternura. E a surra? A surra não duía.

Agente sorria, era de chinela macia!

Vânia.

Se ser avó é a segunda chance de ser mãe,

E como mãe ela já foi um sucesso,

Um sorriso a todos eu peço.

Para assisti-la, iríamos cobrar ingresso!

Mulher de um gosto fantástico,

Como se vestia bem. Meu pai era fanático.

Não havia vestido que não combinasse o seu sorriso carismático.

Linda até o ultimo minuto. Assim não é justo.

Surpresa? Nenhuma! Até os que não se falam estavam juntos.

Vânia.

Ela partiu sorrindo, vestindo e coberta por rosas. Tão cheirosas.

Serena, em paz, na paz, esquecê-la jamais.

Te pergunto agora, será que vimos uma aurora?

O fato, é que Ela nunca foi ou vai embora.

Vânia está aqui. Presente. Nunca ausente.

Ela vive eterna em cada um de nós.

Suas palavras, seus atos, suas lições.

Vânia.

Dizem que o tempo é o Senhor das Razões.

E que tudo ele cura e se ele tudo cura.

Peco que ele cure a dor em nossos corações.

A dor da ausência, da carência. A dor marcada por canções.

Mas e a saudade? Será que saudade tem ou precisa de cura.

Minha saudade não! Minha saudade não me traz amargura.

Contrariamente, minha saudade só me faz sorridente.

Incessantemente contente. São muitas as memórias.

Aos poucos seu vazio é preenchido de historias.

Vania.

Concordamos com o Rei Roberto. Ele apenas disse o que é certo.

“Já me esqueci de tentar te esquecer”

Conosco, em nosco, pra nosco você sempre vai viver.

Uma mãe doadora de amor e amada.

Piadas, risadas, gargalhadas.

Momentos eternos vivemos.

Peço a Deus que para sempre lembremos.

Cada um de nos tem um conjunto de lembranças.

Contos e viagens fazem parte de uma herança.

Obrigado meu Deus por carregá-la. Guiá-la. Criá-la.

Obrigado meu Deus por acolhê-la, recebê-la, tê-la.

Obrigado meu Deus por deixar-nos, dentre as suas escrituras de linhas tortas mais uma lição.

Os que durante a vida acreditam, juntos de ti e dela estarão.

Vania.

Te amamos mamãe. Orai por nós.

Um Momento de Inspiração

Um momento de inspiração pode vir a qualquer momento. Em casa, no trabalho, durante uma reunião, ou quando pendurando roupa no varal. Às vezes quem sabe até durante um ato sexual. Sendo este o caso, não pare, lembre, um ato sexual é muito mais gostoso, tanto pra você quanto para outrem. Esqueça das palavras borbulhando em sua mente por 7 minutos; goze. Mas lembre, depois, de tudo. Nunca se sabe se estas não serão as próximas palavras a te elegerem a presidência da republica, a serem proclamadas ao receber um premio, Nobel talvez, quem sabe apenas um discurso de Natal entre familiares ou até mesmo um texto solitário que fique arquivado em seu computador e um dia se torne palavras de um paraninfo ou artigo de revista. Um momento de inspiração vale diversos significados. Um carpinteiro pode fazer uma mesa e cadeiras para doze, um ferreiro a espada que lords usavam pra se defender, ao médico talvez a cura da AIDS, quem sabe um dia, e ao detetive a solução de um crime. Momentos de inspiração vêm em diversas formas; palavras, objetos, atos. Um desenho que se torna obra de arte, uma musica que vira folclore, uma idéia que gera um filme, uma teoria que é de fato, fato. Inspirações levam povos a se unirem ou se afastarem. Na Alemanha antiga a inspiração de um homem – por muitos considerado maluco, por estudiosos considerado um rei da conduta persuasiva – levou milhões a transformarem seus atos, mudarem seus conceitos e acreditarem, piamente, que o que faziam era para o bem do mundo, mesmo que estivessem cometendo genocídio em massa. A Roma antiga inspirava-se na glória dos antepassados e suas conquistas para continuarem governando e ditando o ritmo do mundo velho. O ritmo do samba inspira milhares de brasileiros a serem alegres; a buscarem no pouco que tem a fonte de toda a sua felicidade.

Momentos de inspiração vêm repentinamente. Monet, ao caminhar, não sabia aonde ia, mas ao parar, inspirado, estava pronto para pintar um novo masterpiece. Van Gohn cortou a própria orelha para alcançar a perfeição no seu self-portrait. Louco. Inspirado. Em outro lugar, Bethoven pensava em números e escrevia musica, partituras estas até hoje referenciadas no mundo da musica clássica, aliás, para sempre serão.

Momentos de inspiração tornam-se propaganda. Jingles que duram para sempre. “Eu acordei, tirei meu pijama, fui pra minha cama, e depois dormi” ou “pipoca na panela, começa a pipocar, pipoca com sal, que sede que dá”. Momentos de inspiração viram programas de televisão premiados ou shows em horário nobre; alguém teve que escrever ‘A Grande Família’ ou pensar no título do ‘Jornal Nacional’. Piadas, historias, danças, teses, romance, tempo. No futebol um momento de inspiração vira um golaço, no basquete uma cravada, no golf finesse é o nome do jogo. Para o chef, um prato sugestivo no cardápio; ao someliér um vinho a ser recomendado.

No livro Blink, seu autor Malcolm Gladwell inspira-se ao escrever sobre o reconhecimento rápido da mente, os pensamentos que vem ‘num piscar de olhos’, inspira-se ao desertar a inspiração baseada no instinto da mente humana.

Inspiração leva o individuo ao sucesso e a conquista. A adrenalina correndo pelas veias rompe fronteiras e proporciona à mente um contato imediato com o alem interior. Inspirem-se.

The Rain

It is raining. I hear her but I can´t see her. She whispers the sound of a lullaby to me in bed. Her voice is soft, soothing, calming, the path to a state of relaxation which kicks off the most peaceful dreams...of her. I admire her for her beauty, crystal clear, inner and outer. I feel the smoothness of her skin. I congratulate her intelligence to achieve and her perseverance to never give up swells me with pride. She is hopeful and hope. She is life.

She is part of a cycle that never ends. She is water in its most amazing state, a constant change, an amazing creation of the Creator. She drops after the draught and stops when it floods. Strong presence, my savior, I feel refreshed, recharged. I´ve seen and now I imagine her straight falling strips in the air, orchestral stump of sound on the pillow top. Golden. I hear her. She sounds so sad. Baby don´t cry. I am here, you are here, and we are together you and I. But if you must spill, lean on me, I will be the walls the lets you run down, the slope that drives you to the river, and the river that takes you back where it all started. The ocean. Evaporation. Her tears wiped on the sleeves of my shirt. Running, getting ready, coming and going, leaving, I feel her.

We talk. She talks to me before I got to sleep. There was no time to ask about her day. She asked me about mine. Falling asleep I answer in the heat of a routine. She´s not always around. There is no routine. Can we both fit under a pancho? Should I protect myself against her? She feels so good running down my skin. Silky finger tips, the raindrops tickle me. She has long hair, a passionate look in her eyes and conquering smile. We look good together, her and I. We enjoy the thunders, the lightning, the movement of the clouds elsewhere to let the sun shine.

Composition. She is not perfect, however exciting. Some days you just don´t want to get wet, you hate her. Others, I want her to come, there is nothing like dancing in the rain. There is nothing like kissing in the rain. There is nothing like making love in the rain. She´s magical. A solution. An inspiration for a better tomorrow.

Time is passing. Is tomorrow coming? The clock is ticking. Is tomorrow coming? I haven’t seen her in a while, I touch her, and I know she is coming. I want her to. I miss the rain…it´s raining. I hear her but I can´t see her. Tomorrow, maybe.

Escrevo Logo Vivo

“Penso logo existo.” Disse René Descartes. Escrevo logo vivo, digo eu. A existência é meramente superficial se não tirada vantagem. Um homem sem palavra não é digno dos seus pensamentos. Um sopro perdido ao ar. Uma inspiração que engasga. Pensar e não falar é como ter a faca e o queijo na mão e comer presunto. O macaco que tem a banana, sabe comer, mas ao jogá-la no chão, pisoteá-la e chamá-la de pão, distribui ao cão. O pão que o macaco amassou!

Hoje acordei nu, pelado, banguela e careca, nasci pra vida, nasci pro mundo, gugudadá eu logo aprendi a falar. Não muito tempo depois, em minha mente já não suportava ignorância. Gugudadá tornou-se ‘papai e mamãe’, eu já estava no lucro. Olhava pra baixo e me via vestido, continuava no lucro. Ao ver meu pai careca, o desespero, ao ver-me cabeludo, que alívio, isso sim é lucro. Logo cheguei a uma simples conclusão, o que vier é lucro meu irmão. Riquezas? Não falo em material, refletindo, pensando e existindo, escrevendo e vivendo, realizo que a maior pedra a ser lapidada é a minha mente. Não estou satisfeito com apenas 10%, você está? Medíocre eu não sou, nunca fui, nem nunca vou ser. Inaceitável! Mediocridade é burrice. Você conhece algum medíocre feliz? Se achares que sim, converse com ele, eu te chamo pra dançar.

Escrever é um prazer. Sinto-me ardente, uma dor nas costas constante. Sai da cadeira rapaz, pare de pensar naquela mulher, existem tantas outras... que não são elas, que não são especiais. Em tudo, pra tudo, com tudo, chutar a porta é arriscado. Um campo aberto, gramado. Um alvo com círculos vermelhos pintados. Uma mira a lazer. Ela é uma folha de oficio digital. Branquinha, sempre aberta a conversas, pronta para se melar de preto, pronta pra contar a historia que sai da ponta do lápis, ou seria da ponta dos dedos? Opa, essa evolução é nada mais que justa. Porque deveríamos nos limitar a escrever apenas com dois dedos? Temos dez que podem ser aproveitados, cinco vezes mais rápido acompanho a velocidade dos meus pensamentos.

Ela continua sorrindo, adora quando estou aqui. Sentado a sua frente me sinto uma criança livre para brincar. Está na hora do recreio! Confusas palavras geram controvérsias e conversas. Flores numa mesa de bar. Gargalhadas. Esta brotando vida do cimento, antes considerado impossível.

Não importa o traje, um homem tem que se vestir com confiança. Minha confiança vem da minha existência, minha existência vem seguida de palavras. Escrevo logo vivo! Sou honesto, não consigo ser falso. Não consigo sorrir quando quero chorar, nem consigo chorar quando quero sorrir. É uma virtude ser capaz de reconhecer seu cálice. No livro “Tuesdays with Morrie” de Mitch Albom, o personagem real Morrie, em seu leito de morte confessa que “when you learn how to die, you will learn how to live”. “Quando aprender como vai morrer, vai aprender como viver”. Morrendo de Altzimers, ele prega que reconhecer seus sentimentos e ser capaz de controlar-los mudou o seu modo de viver. Tudo: amor, ódio, raiva, tristeza, felicidade, compaixão, misericórdia e inclusive a confiança. Perdão. Sou confiante sim, sei controlar minhas emoções e ir em busca do que quero, dos meus sonhos, do que almejo. Não importa o traje, a ocasião ou companhia, me visto bem e estampo no rosto o meu rosto! Máscaras? Livre-as na porta de entrada, minha casa não é um baile de carnaval.

I used to...

I used to lay next to you

I used to love

I used to cry next to you

I used to love

I used to sing next to you

I used to love

I used to dance with you

I used to love


I lay now in my bed, in agony

I hear voices in my head, discrepancy

The sound of my past, harmony

The sound of a heart-beat, my beat

The bass of a drum-beat, my heat


The wind is blowing

The door is closing

Her eyes are glowing

Where am I going?

Why do I see,

You next to me,

Why don´t I feel

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Deu na Folha

Deu na Folha: “Para ministro, a escola publica será sempre pior”. O atual ministro da educação, Fernando Haddad, que não tem senso nenhum ao medir suas palavras, em entrevista a Folha no dia 24 de Novembro, admitiu que não trabalha em prol da educação publica brasileira. Posso até estar sendo adiantado na minha analise, mas assim, de imediato, quando vejo meu próprio ministro admitir que as escolas públicas nunca alcançarão o nível das escolas privadas, esta é a minha conclusão. Haddad alega que “se a rede particular fosse pior do que a pública, ela acabaria por falta de interessados em pagar por serviços inferiores”. Ué!? Qual o interesse dele em manter a renda do dinheiro privado? Não são supostamente uma “opção elitisada” as escolas privadas?

Admito que sempre fui aluno do ensino privado e não concordo também com as emendas do governo Lula em cotar vagas para a maioria inferiorizada, o que vai lado a lado que a declaração no nosso ministro. Ao invés de providenciar o melhoramento do ensino publico, vamos por um band-aid no sistema, ficar com cara de mocinhos diante do povo e comer uma pizza no jantar! De novo!

Na mesma edição da folha Cristovam Buarque, questiona: “È positivo o projeto que obriga políticos eleitos a matricular seus filhos em escolas publicas?”, não sei ao certo o que pensar a respeito do seu artigo. Questiono se os seus familiares estudam em escolas publicas e o por que dele não ter tomado essa iniciativa quando fora Ministro da Educação. Concordo porém com o projeto, a melhora das escolas publicas seria eminente e também a segurança nas áreas onde elas estão presentes! Nenhum político iria querer seus filhotes estudando em área perigosas, correto?? Instalações, esportes, ensino, investimentos privados no setor publico, todas essas seriam medidas viáveis diante da sugestão.

Um grupo de empresários em São Paulo já pensa nisso como o futuro do nosso país. Seus filhos não estão estudando em escolas publicas, vamos devagar, não me interpretem mal, estes, no entanto, reconhecem a mente humana e sua capacidade de raciocínio e questionamento como uma das maiores riquezas naturais não exploradas do Brasil. Redes públicas de ensino assim, estão sendo privatizadas numa iniciativa nobre. Não vamos cobrar mais ou aumentar o preço do ensino público, mas vamos usar o pouco, ou muito, que temos a mais, para ajudar ao próximo.

Lembram da “Farinha é pouca, meu feijão primeiro”! Estes estão dividindo o feijão, sendo futuristas, democráticos e capitalistas. Obviamente uma mão lava a outra, tudo é feito por um motivo, e esta iniciativa gera isenção de impostos ao grupo, porém, é uma maneira de garantir que o dinheiro esta sendo usado para a educação, ótimo! Sabe-se lá, com o governo corrupto que temos, seja ele de qualquer partido, onde esse dinheiro iria parar. Talvez mais uma viagem de Lula ao Hawaii onde fazemos pesquisa de cadeira de praia e Piña-colada, enquanto nós pagadores de impostos ficamos aqui, usando narizes de palhaço.

A Curiosidade é Arte

A CURIOSIDADE É ARTE, E A IDÉIA É A MAIOR ARTE A SER VENDIDA.

EU DESAFIO MEU INTELECTO, ELE DESAFIA A SUA CRIATIVIDADE.


O homem é curioso por natureza. Instintivo. Nossa primeira curiosidade é meramente de satisfazer o objetivo maior de todos os seres, sobreviver. Nós levamos objetos à boca instintivamente. Sejam eles minerais, naturais, líquidos, gel, sólidos, frutas, legumes, água, folhas, raízes, mosquitos, insetos ou lagartos, nós levamos objetos à boca para sobreviver. In each corner of the world different species, types of food or not, are considered typical. Curiosity! Someone had to die, and again, I am not being an extremist, but, someone had to die in order for others to understand and comprehend, beyond their own curiosity, that determined fruit, animal, vegetable or insect was poisoned, deadly.

Individuals would take their ideas even further. Studying each other, or against each other perhaps (Indian weapons), we broke down subjects to pieces to explore the “good” out of it. Eating and surviving makes the individual select the 'how' and 'what' he is going to be; inside and outside.

Curiosidade nos leva a desafiar a nossa própria mente e buscar chegar o mais longe possível, lá, na última semente da fruta, no coração do animal, nos olhos do inseto, na vitamina do vegetal. Criatividade é uma característica da curiosidade. Esta talvez tenha nos levado a criar as armas que mantinham afastados aquelas espécies que viviam em função de nos matar pela própria sobrevivência. Armas, idéias, arte. Leques para manter-se refrescado, vestimentas para cobrir-se, telhado para proteção e fogo para se aquecer. A roda! Formato geométrico mais vezes representado em símbolos, brasões, marcas. A bola que é dos esportes, vários deles, é a mesma bola que estava nos olhos. Na visão! Será que essa foi a inspiração? Na curiosidade pela beleza que vira arte. Curiosidade é arte. É um estilo pessoal de se expressar. Roupas, estilos, decoração, carro, bairro, tudo representa no individuo a sua escolha, um desafio ao intelecto, de mostrar a sua criatividade consigo mesmo.

A arte de sobreviver é a arte de criar idéias a serem vendidas. Estudos provam que a satisfação do ego está presente no topo da pirâmide de prioridades do ser humano. Sendo assim, o homem torna-se o maior consumidor de bens materiais. Sistemas monetários foram inventados dessa maneira, baseados no querer, na justiça do trocar. Avaliação. A começar por objetos que foram dados valores distintos em troca de outrem. Dinheiro, capitalismo, luxo, competição e ate a pobreza vieram da curiosidade de gerar mais, de vender e obter lucro. Da falha.

É o instinto do homem desafiar o seu intelecto e desafiar a sua criatividade. No seu intelecto mora a curiosidade criativa que vira arte nas mãos e mentes da nossa raça. E a idéia, é a maior arte a ser vendida. Cuidado porém, essa arte pode ser perigosa, gerar vícios.

Farinha é Pouca

Farinha é pouca, o meu feijão primeiro! Já pensei, já matutei, já discuti e já observei diversas vezes o uso deste ditado, por diversas pessoas, e com diversas pessoas. Hoje, ao caminhar para o trabalho e presenciar mais uma vez uma situação na qual o dito se encaixaria perfeitamente, cheguei a conclusão que a satisfação do brasileiro não está em comer a farinha nem bufar o feijão, esta satisfação vem sim, tristemente, do prazer, do sentimento de conquista pessoal em não deixar nem farinha, nem feijão, nem tutu pro próximo comer.

Pensem bem!

No sistema Inca Antigo, civilização primordial da América Latina, mais precisamente Peru e Bolívia, que data a sua extinção por volta do ano de 1530 na última batalha travada contra os Espanhóis, há uma altitude de 3500m em Cuzco, tudo pertencia a todos. Os templos eram construídos por todos igualmente, para serem usados, abusados, e admirados por todos. O OURO era de todos! As pedras das mega-construções de Machu Picchu e Wayna Picchu, dentre outros, vezes trazidas de até 7 km de distância à mão ou puxadas por cordas, simbolizavam, pelo esforço e tamanho, a dimensão do pecado a ser pago pelo individuo Inca. Trazendo-a, este estava dividindo com o restante da população, purificando a sua alma, sendo perdoado, e assim, dessa maneira, encontrando seu caminho livre para os divinos deuses.

Hoje, na América, existe um movimento aleatório de bondade que é contagiante. Pessoas acreditam na bondade ao próximo e no poder da expressão “pay it forward”. È o contrário do carma, se fazes algo bom, algo bom acontecerá pra ti. Sejam vitimas do Tsunami da Indonésia, ou do Katrina no sul do próprio país, uma vasta mobilização de ajuda era vista em todas as partes dos EUA. Ninguém estava em busca do feijão para comer, mas em busca da repartição, tanto do feijão como da farinha. Solidariedade. Solidariedade essa que não é em vão, acredito, existe também outra expressão nos EUA que diz “there is no free lunch”, tudo é feito por um motivo. Com isso hei de concordar. No mundo capitalista, mudando da água pro vinho, a expressão se encaixa perfeitamente. Porém, indo um passo adiante, a divisão do feijão e da farinha também! Não é apenas uma pessoa que agora não passa mais fome, somos duas! Duas que podemos produzir (já que saco vazio não fica de pé) e aprender a fazer mais feijão, que pode ser mais uma vez repartido, virando quatro comedores e produtores de farinha, que repartem novamente, e daí adiante.....bom, façam as contas! Todos saem ganhando. What goes around comes around! Tudo que vai, volta!

Infelizmente, nossa cultura não assimila essa democracia como verídica. Se tenho um balde de feijão, eu vou encher meu rabo hoje meu irmão e não vou deixar nem farinha entre os dentes pra cuspir na cara dos outros. E o cara sem nada.....se lenhou otário! Não vou nem pedir desculpas, não é minha a culpa! Eu ganhei e ele perdeu! Azar o dele!

Sento e assisto pessoas conhecidas, pais de amigos meus, amigos de infância do condomínio, do colégio, representantes do nosso governo, deputados federais, estaduais, ministros, sendo presos e acusado de roubar milhões para o beneficio próprio. Vão pagar? Comentamos em mesas de bar e banalmente a palavra “normal” sai como se fosse realmente “normal”, da boca de advogados, médicos, empresários e juizes. Será que é o sistema que é falho? Estamos realmente tão acostumados a tanta sacanagem que aceitamos a impotência como uma característica do brasileiro? Como no exemplo TAM, estamos sempre preocupados em apontar dedos e acusar um culpado. Somos??? Queremos um país limpo, de tudo, mas o mesmo rolo de 100 sacos de lixo que custam R$30.00 aqui, nos EUA custa US$4.00. Quem converte não se diverte. Quantos competidores temos produzindo sacos de lixo? A farinha é pouca, o meu feijão primeiro!

Você para na faixa de pedestre? Confesso: nem sempre paro, mas, em contrapartida, de vez em quando paro até em área proibida pra uma senhora ou criança atravessarem a rua. E ai de alguém buzinar, o dedo sai pela janela na mesma hora! Hipócrita? Hoje, um bom fdp preferiu jogar o carro em cima de mim quando atravessava uma rua nem um pouco movimentada na faixa, às 8 da manhã, e sem nem pedir desculpas arrancou em disparada. Hoje eu esperei e não atravessei. Hoje a farinha era pouca e o feijão dele foi primeiro. Hoje eu perdoei.

Como disse a poeta Elisa Lucinda, em seu poema “Minha esperança é imortal”, recitado por Ana Carolina, “Sei que não da pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final”.

Se a farinha é pouca, pode comer, gosto do meu feijão com arroz!